top of page

Cinema de Quinta: Filastor Brega

  • 28 de jan. de 2016
  • 6 min de leitura

Quem é Filastor Brega?

Filastor Brega é um ator/roteirista/produtor mediano, mas muito esforçado e que tem feitos alguns trabalhos na região. Uns bons, outros ruins e outros mais ou menos. Mas sempre com muito prazer.

Comecei a atuar em teatro em 1975. Em 1980 me profissionalizei como ator. Fiz duas peça profissionalmente e deixei de atuar. Comecei a dar aulas de teatro, dirigir e escrever. Esporadicamente voltava a atuar.

Em 2009 voltei a atuar em teatro e pintou o cinema e voltei a tomar gosto pela atuação. Aí foi um curta metragem atrás do outro, algumas figurações e elenco de apoio no saudoso e finado polo cinematográfico de Paulínia destruído pela incompetência política/administrativa da cidade.

Você tem ideia de quantos projetos você já participou?

Até eu assustei com o total. Nesses últimos 6 anos foram mais de 40 projetos/trabalhos (curtas metragens em sua maioria e mais como ator). E até já tive que dizer vários nãos. Acho que está faltando atores no mercado.

Conta pra gente um pouco dos seus projetos?

Tenho muitos projetos para a área cinematográfica. Mas o pensamento do momento é não fazer sem o mínimo de dinheiro necessário para poder pagar o mínimo decentemente para equipe técnica e atores. Apesar de fazer favores para amigos, acho muito chato ter que ficar pedindo favores.

O próximo da fila é “Mó Xinfra” baseado em um conto de Suely Paulista do livro “Sobre Viventes de Jandira”, do qual também sou editor do livro. Outra paixão tão gratificante quanto a atuação. Roteiro no segundo tratamento e aguardando conseguir algum dinheiro. Mas só vamos fazer se tivermos dinheiro. Cansa muito essa história de ficar pedindo favores pra um, pra outro... Estou preferindo ficar sem fazer.

Tem algum que você gosta mais?

O projeto que eu mais gosto é sempre o próximo.

Qual é o seu xodó?

Quem não tem. Os que a gente produz acaba sempre sendo mais querido. Porque você se envolve do começo ao fim. E o xodozinho é o “Barriga – A história de um homem grávido”. Foi feito sem nenhuma pretensão, com um grupo de pessoas muito bacana, participando de Mostra/Festivais. Nunca ganhando nada. E colocado no youtube e já assistido por mais de 170.000 pessoas. No últimos 30 dias, não sei como, mais de 1.000 pessoas assistiram o filme por dia. E isso é muito assustador e gratificante

Você como ator, tem algum personagem que você gostaria de ter feito?

Falta fazer muitos personagens... Mas sinto que cada vez mais, estou caindo na mesmice de sempre, por mais que tenha me esforçado e acaba ficando sem graça.

Estou encantado com o diretor Alejandro Jodorowsky, que vergonhosamente não conhecia, apresentado pelo diretor campineiro Vitor Casemiro. Seus filmes, uns com mais de 45 anos foi o que de mais novo apareceu nos últimos tempos para mim. E gostaria de fazer um personagem nessa linha meio surreal/absurda. Estou ficando um pouco cansado de personagens fazendo coisas “normais” e confesso que estou até pensando em parar. Sabe, aquelas coisas... Dar um tempo... Para reflexão e melhoração.

Principais filmes encantadores de Jodorowsky

1970 – El Topo

1973 – The Holy Mountain (A Montanha Sagrada)

1989 – Santa Sangre

Você produziu um curta em uma oficina que você ministrou e ganhou um prêmio no festival do minuto, qual é a importância de se produzir e divulgar o trabalho?

Na realidade eu participei de uma oficina como aluno na extinta e ótima Oficina Cultural Hilda Hilst, também por incompetência cultural e administrativa, com o Mestre gênio maluco da animação, Daniel Rabanea. E ganhamos 3 vezes no festival do Minuto. “Oficina Maldita” de (1 minuto)

Tempos Cruéis (Nanosegundo – 10 segundos – tremendo desafio).

E um depoimento de 3 minutos de como fizemos o nosso vídeo vencedor e vencemos novamente.

Ganhei também com meu filho Igor Brega no Minuto com o “Bichos Voadores”. E tem mais um monte de outros que não ganharam nada também.

O Produzir complementa o Divulgar... Mas o segundo item acaba se tornando o mais difícil sempre. Sobrando na maioria das vezes o Youtube.

Como é produzir cinema independente?

É maravilhoso produzir cinema independente, mas também é muito triste produzir cinema independente. Tanto que até parei de produzir. Tenho atuado de vez em quando em alguns curtas de amigos e outras vezes vou dar uma força em alguma outra tarefa.

Aproveitando a sua experiência com cinema, Tv e teatro,

Você poderia dar dicas para quem quer começar atuar e qual é a maior diferença na atuação nesses veículos?

A maior dica para atuação com certeza é estude e treine muito... Em lugares bons... Não tem outro jeito de ser um bom ator e fazer um bom trabalho... Eu estudo bastante, mas não treino muito... Por isso sou mais ou menos.

Antes de falar da diferença prefiro falar do que tem igual... Seja qual gênero for comédia, drama, tragédia – teatro, cinema, TV... Faça sempre com verdade... Vai aumentar em 100% a grande chance de sair um bom trabalho.

É bem mais profundo que isso. Mas a maior diferença com certeza é que no cinema você tem que ser mais comedido, e no teatro mais expansivo. Na TV não tenho experiência, mas acho que é mais na linha do realismo e naturalismo.

Tem alguma história engraçada ou curiosa que tenha se passado durante a produção?

Sempre tem. Cada e todo filme tem a sua... Cômicas e Trágicas.

A mais trágicas de todas e que pode acontecer com qualquer um, mas você nunca acha que possa acontecer em um trabalho que você está participando. Aconteceu há uns 4 anos atrás... Tudo tinha que ser feito em um só dia... e após mais de 16 horas de trabalho intenso... Mais de 60% da gravação foi perdida (ninguém sabe como)... Nunca ninguém esclareceu direito a história e nem foi dada nenhuma satisfação para o pessoal que trabalhou. Mas o filme nunca foi feito e nem vi os trechos que se salvaram!!! Uma grande pena.

Outra muito trágica e que chateia bastante é que na maioria das vezes, o seu trabalho de ator é voluntário e os “diretores” não tem a capacidade e nem o compromisso, nem a título de satisfação de lhe dar um DVD com o resultado do trabalho, ou quiçá um link, onde você possa assistir e baixar o trabalho que se fez com tanta dedicação... Mas é assim mesmo, talvez seja uma forma de agradecimento... que eu sinceramente eu não entendo... Tem 2 especificamente, apesar de eu ter solicitado encarecidamente, por diversas vezes, as “diretoras” não deram bola nenhuma. Sendo que o mínimo que deveriam fazer era levar o DVD na porta da minha casa.

Em compensação a grande maioria dos Diretores agradecem tanto e são tão gentis o tempo todo que você até se sente um bom ator.

A última engraçada... Foi no finalzinho de 2015 uma gravação em que fui ajudar um amigo em uma fazenda da região de Paulínia. Tudo correu muito bem durante a filmagem... Mas no finalzinho, lá pelas 19h00 quando fomos sair, chamamos o caseiro que foi gentil o tempo todo, para abrir o portão que estava fechado... saiu de dentro de casa berrando “Eu tô dormindo porra”. Muito irritado e muito nervoso. Eu só perguntei para o diretor se ele estava armado e saímos rapidinho... Não deu nem tempo de agradecer...

Já transformou em roteiro algo que tenha acontecido com você?

Não... Só o que aconteceu com os amigos!!!! Rsrsrs – Se bem que tem umas passagens da minha vida... Não... Vou continuar fazendo da vida dos amigos... mas sem citar os nomes.

Tem algum projeto novo em andamento?

Sim o já citado “Mó Xinfra” em 2016, que é a história de uma adolescente com sua amiga, doidas para experimentar maconha com seus amigos mais velhos e experientes e que termina de uma maneira surpreendente e engraçada.

Dicas de filmes?

Do último ano, sem dúvida, “O Regresso” (The Revenant) do diretor mexicano Alejandro Iñárritu é o melhor. Já havia me cativado, desde o momento em que vi o trailer. Obra de arte pura! Com uma história para ser ouvida e assistida. Você entra na história e viaja com ela. Sem excessos de efeitos especiais, de papo cabeça e sem modismos. Somente uma boa história e muito bem contada em um filme... Tudo o que deveria ser o cinema. O melhor trabalho do Iñárritu, do Leonardo Di Caprio e do Tom Hardy e do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, que só usou luz natural no filme todo. (merecem Oscar e muito mais) se a Academia deixar.

Gostei tanto que fui até assistir o primeiro filme sobre essa história que foi filmado em 1971 e dirigido por Richard Sarafian (vale a pena também). Fúria Selvagem (Man in the Wilderness). E gostei muito, principalmente do roteiro.

Sicario: Terra de Ninguém de Denis Villeneuve é muito bom também...

Os outros famosos de 2015/16, que nem vou citar os nomes, pois sei que vou arrumar briga... São mais modismos, cultuações e muito efeito especial... Claro que não são ruins... Quem me dera... Mas ficam muito atrás, mas muito mesmo do “O Regresso”. É preciso ter coragem pra falar isso, sem correr o risco de ser linchado... Mas é o que penso... Na minha opinião e no meu gosto pessoal.

Perdeu as outras entrevistas?

Comentários


Posts Destacados
Posts Recentes
SIGA
  • Facebook Clean
  • Twitter Clean
  • Instagram Clean
  • YouTube Clean
  • RSS Clean

© 2015  Orgulhosamente criado em um dia de tédio

bottom of page